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13/01/2005 - 13:58:44

Torcedor Ramalhino, por onde anda você?

Carlos Silva

O E. C. Santo André já nasceu destinado a ser vencedor. E equipes vencedoras costumam atrair torcedores. Já em seu primeiro e tumultuado ano no futebol profissional, o azul e branco decidiu a então primeira Divisão contra o Catanduvense. Naquele distante 1975, o Bruno Daniel resumia-se ao setor de cadeiras cobertas, mas mesmo assim 8 mil torcedores ocuparam todos os lugares possíveis e imagináveis do Estádio, até mesmo transformando em gerais as rampas atrás das linhas de fundo.

Poucos anos depois, em 1978, o Ramalhão já levava ao Estádio Municipal públicos dignos de divisão principal, embora ainda disputasse a Intermediária. Os memoráveis duelos contra Inter de Limeira, Aliança, Saad e Pinhalense arrastavam multidões de 15 a 18 mil torcedores, lotando a recém inaugurada arquibancada, o que dava ao Santo André uma das maiores médias de público do interior paulista.
Em 1979, levamos ao Pacaembu o maior público até então registrado para uma partida que não envolvia os "times grandes", mais de 15 mil torcedores na partida contra a Esportiva de Guaratinguetá, pelas finais da Intermediária. E em 1981 lotamos o Parque Antártica nas finais contra Paulista e XV de Piracicaba, alcançando afinal o acesso à Divisão Especial.

Hoje em dia, o quadro é completamente diferente. Mesmo participando de campeonatos de maior prestígio, dificilmente conseguimos levar ao Bruno Daniel mais que 3 mil pessoas, a ponto de a administração do estádio nem mesmo abrir a arquibancada na maioria das partidas, já que o setor de cadeiras é mais que suficiente para abrigar todo o público.
É hora, então, de perguntarmos: que fim levou a torcida ramalhina?

Não existe uma resposta simples para essa pergunta. O mundo hoje é bem diferente de anos atrás: há mais opções de lazer, o conforto nos estádios deixa a desejar, o nível de renda caiu, há o problema da falta de segurança, as gangues fantasiadas de "torcida organizada", a concorrência da TV, etc. Mas devemos considerar a possibilidade de que aquela grande massa, que lotava o estádio há 25 ou 30 anos, simplesmente não exista mais: trocou de camisa, mudou-se de cidade, ou simplesmente envelheceu e não foi substituída pela nova geração, que optou por torcer pelos "grandes" clubes que vêem toda semana na TV.

Reverter uma tal situação não é fácil. Exigiria um grande trabalho de promoção e marketing, que a atual direção do clube não parece disposta a realizar. Mas eu me recuso a crer que todos aqueles torcedores que aprenderam a admirar o Ramalhão nos anos 70 e 80 já tenham morrido, ou que não tenham sido capazes de transmitir a seus filhos toda a admiração que sentiam pelo time que ostenta as cores e o brasão da cidade. Acredito piamente que essa torcida ainda existe. Apenas está oculta, envergonhada ou sem coragem de reaparecer e manifestar seu amor por um time "pequeno" e ser alvo de gozações dos amigos corintianos, sãopaulinos, santistas e palmeirenses...

Mas não existe motivo algum para isso! O Ramalhão continua sendo, sim, um time vencedor. Dentro de mais algumas semanas estrearemos na Libertadores, o sonho de consumo de 10 entre 10 clubes brasileiros. Estamos a um passo da elite do futebol brasileiro, aonde em breve chegaremos, com certeza. E conquistamos a Copa do Brasil, superando tudo e todos os que não acreditavam em nosso êxito.

Vamos, torcedor ramalhino, mostre a sua cara, vista a camisa do time e saia à rua, demonstre seu "orgulho de ser andreense", como diz a faixa da torcida. E vá ao Bruno Daniel incentivar os nossos atletas, que batalharam muito e fizeram por merecer o lugar onde estão hoje. Você irá se surpreender ao descobrir que nosso futebol é tão bom ou melhor que o dos times "grandes" que protagonizam partidas de qualidade duvidosa na telinha.

Falando nisso, se você é - ou se julga - torcedor de um desses "grandes", não faz mal. Vá ao Brunão assim mesmo. Talvez assim você descubra que lugar de torcedor é no estádio e não diante da TV, pegue gosto e vire assíduo, e acabe descobrindo que gosta mesmo é do Ramalhão. Não se preocupe: isso acontece com quase todos.






 

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