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4/25/2016 - 16:40:12

A Década Ramalhina

Carlos Silva

OBSERVAÇÃO: Coluna publicada originalmente em 09/09/2013.

A derrota em Blumenau marcou o final da participação do E. C. Santo André nas competições nacionais, que havia se iniciado de forma contínua em 2003 com a conquista do acesso à Série B em Campina Grande. Assim, duas belas cidades brasileiras conhecidas por suas festas que atraem milhares de turistas a cada ano tornaram-se os marcos de início e término do que podemos chamar de “A Década Ramalhina.”

Nesse período de dez anos, o Ramalhão atingiu os melhores resultados com que uma equipe de médio escalão poderia sonhar no futebol brasileiro. Disputamos 6 edições da Segunda Divisão nacional, com uma passagem rápida pela elite, ganhamos a Copa do Brasil e participamos de uma edição da Libertadores, o sonho de consumo de todos os clubes brasileiros. E como bônus, conseguimos um título da A-2 e um vice-campeonato estadual (embora, na minha opinião, o vice nas condições em que aconteceu não é para ser comemorado e sim lamentado, além do que vice-campeonatos fazem mais o gênero de um outro time da região). Sem dúvida, falando em termos puramente esportivos foi a melhor fase da história do Ramalhão. Pena que seu final foi esmaecido por uma sequência de rebaixamentos e de ocorrências de natureza extraesportiva que não vale a pena repetir aqui.

Claro que a eliminação na Série D me entristeceu, mas não foi exatamente uma surpresa. O elenco claramente carecia de maior qualidade técnica. Ainda assim, fez o mínimo que se esperava, passar da primeira fase em um grupo bastante complicado (dois ex-campeões da Copa do Brasil na mesma chave foi uma tremenda falta de sorte), mas a regionalização da Série D – que não é um único campeonato, e sim quatro – sempre colocará equipes paulistas frente a frente com as do Sul do país. Não é uma baba como muitos pensam, e o Ramalhão não se preparou adequadamente para o desafio. Fez até uma boa campanha na fase inicial, com 100% de aproveitamento nos jogos em casa no arruinado Estádio Bruno Daniel. Mas não teve forças para passar sequer pelo primeiro mata-mata.

Procurar alguém agora para colocar a culpa é algo tão inócuo quanto desnecessário, apesar de serem muitos os candidatos. Lembro que, logo no começo da temporada, preveni a todos neste mesmo espaço que a recuperação do Ramalhão pós-SAGED levaria pelo menos dois anos. Às vezes, detesto estar certo.

Sobre o futuro do Ramalhão, já tratei na última coluna publicada neste espaço. E infelizmente sobrou-nos o destino número dois. Juntamo-nos ao grupo de ex-participantes de campeonatos nacionais, ao lado do Paulista de Jundiaí, Ituano, União de Araras, Barbarense e vários outros. Há quem julgue equivocadamente, como o jornalista Daniel Lima, que a eliminação do Ramalhão na Série D significa mais um rebaixamento. O argumento só faria sentido se o futebol brasileiro estivesse organizado em várias divisões regionais, como na Inglaterra, por exemplo. Como aqui é Brasil e não Europa, o Ramalhão não foi rebaixado: sumiu, esvaneceu-se. Deixou de existir no cenário nacional, tal como as equipes acima citadas e mais centenas de outras em todo o país que simplesmente não existem para quem só enxerga os campeonatos “que passam na Globo”.

(Aqui vou inserir um parênteses que não tem “quase” nada a ver com o assunto da coluna. O “sumiço” do Ramalhão é só mais um detalhe no processo de decadência do futebol paulista no cenário nacional. Em breve a bancada paulista no Brasileiro irá resumir-se às quatro chamadas “grandes” equipes - desde que o Palmeiras confirme seu acesso e o São Paulo consiga sair da enrascada em que se meteu. Esse processo já está anunciado há anos, consequência direta do descaso da FPF com as equipes do interior e a concentração de dinheiro e poderes nas mãos dos citados “grandes”. Já Santa Catarina trilha o caminho oposto, em crescimento no cenário nacional, com 4 times na Série B podendo emplacar mais um ou dois na elite em 2014. Sorte de Chapecó, Criciúma e Joinville por estarem no interior de SC e não no de SP.)

Com o fim da Década Ramalhina, mudam os objetivos e perspectivas. A meta viável para o Ramalhão, daqui por diante, será voltar a Série A-1 do Paulistão o quanto antes. Sem isso, continuaremos longe das fontes de recursos indispensáveis para manter um equipe de futebol profissional e não poderemos almejar um retorno às competições nacionais. Mas para isso o futebol do ECSA precisa, antes de mais nada, reconstruir-se. E qualquer reconstrução se inicia pelos alicerces, ou seja, pela base, e a reorganização das categorias de base do Ramalhão é medida imperativa. Os dirigentes do clube já sinalizaram a retomada do Projeto Jovem Santo André, de excelentes resultados no passado, mas os problemas de infraestrutura (ou seja, a falta dela) continuam os mesmos de antes. E infelizmente, parece que a construção do tão necessário e aguardado CT na Sede Campestre e Náutica, antigo CCABC, não está nos planos da atual diretoria.

Para mim, acabou-se o futebol pelo resto do ano. É hora de dedicar-me a outros assuntos, com a saúde ocupando o topo da lista. Portanto, e apesar do Papai Noel ainda estar longe, desde já desejo a todos os amigos e colegas de jornada um Feliz Natal. E até 2014, ano de Copa do Mundo.







 

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