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13/05/2005 - 11:44:52

Termina um ciclo, que outro comece

Carlos Silva

Para o Ramalhão, a goleada sobre o Deportivo Táchira no Brunera (que logo voltará a ser apenas Bruno Daniel, com a retirada das arquibancadas metálicas), marcou o fim de um ciclo que se iniciou há quase dois anos, sem que a maioria se desse conta - mesmo na nossa mail list, nenhuma mensagem foi postada sobre a partida, que praticamente passou despercebida: no dia 8 de junho de 2003, o Santo André jogou em Piracicaba e venceu o XV de Novembro local por 1 x 0, gol marcado pelo meia Tássio.

A vitória marcou a estréia do Ramalhão na Copa Estado de São Paulo, da qual seria o campeão; e por conta dessa conquista participou pela primeira vez da Copa do Brasil em 2004, da qual também foi campeão, assegurando vaga na Copa Libertadores.

Não faz tanto tempo, mas para o torcedor ramalhino parece uma eternidade. Para termos uma idéia, o time base do Ramalhão à época era mais ou menos este: Júnior, Dedimar, Alex, Diego e Da Guia; Rodrigo Sá, Careca, Tássio e Tita; Nunes e Daniel. Técnico: Rotta. Completavam o elenco jovens como Dodô, Celinho, Regivan, Fábio Reis e Robson Santos. A base do elenco era o grupo que fora campeão da Copinha meses antes (por sinal, sem aquele grupo de atletas de alta qualidade, tudo o que se seguiu teria sido impossível).

Ao longo dessa seqüência Copa Estado/Copa do Brasil/Libertadores, o Ramalhão viveu momentos históricos: a goleada sobre o Ituano, na final da Copa Estado; o heróico empate em 4 gois no Parque Antártica; o inesquecível “maracanaço” contra o Flamengo... Mas também tivemos situações desagradáveis, como os afastamentos de Tássio, Nunes e Fábio Reis, a “deserção” dos técnicos Luiz Carlos Ferreira e Péricles Chamusca e a injustificável recontratação do LCF.

Embora esse ciclo termine agora de forma meio melancólica, uma espécie de anticlímax, com o massacre sobre o Táchira por 6 x 0 que ao final mostrou-se inútil (pois Palmeiras e Cerro Porteño também fizeram a sua parte, com o empate sem gois que atendeu ao interesse de ambos), não se pode negar que foi um período de evolução intensa e progressiva, onde a cada etapa o time ramalhino precisou vencer grandes desafios e a cada um deles emergiu mais fortalecido, maduro e confiante. O Ramalhão que completa agora o ciclo é bem diferente daquele que o iniciou. Os horizontes foram alargados, as expectativas agora são outras, o Santo André já é visto com outros olhos. Não somos mais apenas “o time daquela cidade onde mataram o prefeito”. Crescemos, aparecemos, conquistamos respeito e deixamos os dias de anonimato e desconfiança para trás.

Se Juscelino Kubitschek dizia que o Brasil precisava crescer 50 anos em 5, bem poderíamos dizer que o Ramalhão cresceu 5 anos em 2.

Falando nisso, há quem julgue que o Ramalhão é apenas mais um “fogo de palha”, como outras equipes paulistas que surgiram, disputaram torneios importantes enfrentando os times mais tradicionais de igual para igual e, de repente, sumiram, voltando ao ostracismo (a famosa Síndrome de Bragantino).

Eu discordo dessa opinião. Nosso caso é diferente, pois não nos aproveitamos de brechas jurídicas, portas dos fundos entreabertas, nem de apoios políticos e financeiros duvidosos, para aparecer no cenário esportivo. Todas as conquistas do Ramalhão foram obtidas rigorosamente dentro das regras do jogo, com a bola rolando, e por isso mesmo são mais perenes e valiosas. Crescemos no ritmo ideal e, o mais importante, na ordem certa. O que fácil vem, mais fácil vai, mas o que se consegue com dificuldade e mérito permanece; por isso, a tendência natural para o Ramalhão é a consolidação.

Reparem que não falei da Série C 2003, da Batalha de Bragança e do dramático acesso à Segundona. Isso porque considero esses eventos como parte de outro ciclo, que ainda não chegou ao fim: aquele que em breve nos levará para a Série A do Campeonato Brasileiro. E ainda mais um ciclo poderá ter início com a presença já assegurada do Ramalhão na Copa do Brasil 2006.

Por tudo isso, o término desse ciclo iniciado de forma quase anônima naquele domingo em Piracicaba não deve ser lamentado pelo torcedor ramalhino, e sim relembrado como o período de maior evolução que já vivemos, e que com certeza sinaliza conquistas ainda maiores num futuro que, se Deus quiser, está bem próximo.







 

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